sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Movimento Luísa Mahin


O Movimento Progressista das Feministas Islâmicas do Brasil, também chamado de Movimento Luíza Mahin, foi criado no dia 03/08/2016 pela mineira Pollyana Meira com apoio das também feministas islâmicas Fátima e Ana Lucia Meschke. O Movimento foi inspirado em diversos Movimentos ao redor do mundo como, por exemplo, o Movimento Musawah, na Malásia, e Calem, na França, dentre outros. Seu principal objetivo é a reforma do pensamento muçulmano, combatendo a interpretação majoritária e exclusiva do islamismo sunita e xiita.

Pautas
  • Conscientização de que o Corão é a única fonte da nossa religião;
  • Igualdade entre os gêneros, em todos os setores (liderança em orações, ensino e aprendizado, etc.);
  • Desmistificar o "pecado gay";
  • Trazer novas visões e interpretações do Corão que sejam mais justas, igualitárias e que defenda os direitos humanos;
  • Descontinuar o monopólio dos "estudiosos" conservadores;
  • Explicar o que realmente é hadith/sunnah;
  • Lutar para que todos os discursos de ódio sejam retirados da religião;
  • Valorização, resgate e transmissão do conhecimento das estudiosas feministas islâmicas da atualidade e/ou do passado;
  • Valorização do conteúdo de estudiosos pró LGBTQ+ ou que pertencem ao movimento LGBTQ+; 
  • Apoiar o casamento entre pessoas do mesmo sexo;
  • Incentivar questionamentos;
  • Espalhar o conceito de ijthad ("esforço de reflexão") para combater o conceito de jihad ("guerra santa") atualmente propagado no meio islâmico;
  • Conscientização sobre o khimar ("manta");
  • Desconstruir todas as estruturas patriarcais e opressoras que se infiltraram na comunidade islâmica;
  • Desconstruir tudo o que tenha sido ensinado como islã, mas que na verdade não é islã;
  • Pôr fim às hierarquias;
  • Formar um grupo de muçulmanas brasileiras para que possamos ensinar às outras mulheres muçulmanas e a novas revertidas todos os nossos direitos e lugar; 
  • Resgate dos verdadeiros valores ensinados pelo Profeta Muhammad;
  • Defender a descriminalização e legalização do aborto;
  • Construir um espaço físico que seja inclusivo.

Quem foi Luísa Mahin?

Luísa Mahin (nascida no início do século XIX) foi uma ex-escrava africana, radicada no Brasil, mãe do abolicionista Luís Gama.
Pertencia à tribo Mahi (daí seu sobrenome), integrante da nação africana Nagô. Praticantes da religião islâmica, os Mahin eram mais conhecidos no Brasil como malês, denominação genérica atribuída, especialmente na Bahia, aos negros islamizados - hauçás, tapas, bornus, etc. - trazidos do Golfo do Benin, noroeste da África, que no final do século XVIII foi colonizado por muçulmanos vindos do Oriente Médio.
Luísa esteve envolvida na articulação de todas as revoltas e levantes de escravos que sacudiram a então Província da Bahia nas primeiras décadas do século XIX. Quituteira de profissão, de seu tabuleiro eram distribuídas as mensagens em árabe, através dos meninos que pretensamente com ela adquiriam quitutes. Desse modo, esteve envolvida na Revolta dos Malês (1835) e na Sabinada (1837-1838). Caso o levante dos malês tivesse sido vitorioso, Luísa teria sido reconhecida como Rainha da Bahia.